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  • Foto do escritorGabriel Ivo

Você se considera uma pessoa controladora?

"Se eu tenho alguma insegurança em relação ao futuro e eu puder escolher entre uma situação na qual eu não controlo o futuro ou uma na qual eu controlo o futuro, o mais comum é eu escolher uma em que eu controle, certo?"

O cálculo do controlador é mais ou menos nessa lógica. Uma tentativa de garantia. Garantir que vai dar certo. Garantir que consiga. Garantir que não faça uma escolha ruim. Garantir que eu não se depare com o mal-estar.


Mas o mal-estar aparece. Para controlar preciso estar em constante vigilância e alerta. Com o tempo, cansado e ainda com medo, acreditando que não posso baixar minha guarda nunca. Sem descansar. Isso é mal-estar.


Desde a antiguidade, a busca de um oráculo é a busca dos conselhos divinos sobre quais escolhas trarão as melhores consequências. Desde a antiguidade tentamos evitar o desamparo e a frustração de sermos limitados.


Preferimos, até por sobrevivência, evitar ao invés de lidar

com nosso mal-estar. Uma ideia, uma fantasia infantil de onipotência incapaz de reconhecer o nosso próprio limite.


Eu até posso me preparar para o futuro. Por exemplo, estudando para uma prova, indo dormir cedo quando preciso acordar cedo, saindo com um guarda chuva quando sei que vai chover. Mas ainda estou sujeito a errar na prova, acordar atrasado ou simplesmente cair um volume de chuva que meu guarda-chuva sequer seja capaz de me proteger.


Imprevistos acontecem. Quão fadada ao fracasso é essa fantasia paradoxal de prever o imprevisível?


E interessante como a autoestima age de formas curiosas. Aquela autoestima que me falta em relação ao futuro é capaz de sustentar tamanha fantasia de onipotência.


Quando me afirmo controlador, o que estou tentando controlar? Por que?


Estar no controle de tudo te coloca na responsabilidade de tudo. Tudo depende de você, as pessoas dependem de você. Você nunca pode faltar ou estar mal. E tudo que der de errado,

cai na tua conta.


Responsabilidade e culpa não são sinônimos, mas se confundem. Aqui elas são o mal-estar consequente da

tentativa de evitar um mal-estar, quando tentamos controlar além daquilo que nos é possível.


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