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  • Foto do escritorGabriel Ivo

Você gosta do que vê no espelho?

"Não gosto do que vejo no espelho!"


O espelho é o objeto que mais rapidamente me oferece uma (auto)imagem de mim mesmo e de como o outro me vê.

Mas não é um reflexo totalmente fiel. Eu sempre me vejo invertido. O que vejo como lado direito é esquerdo, e o que vejo como lado esquerdo é direito.


E mesmo que meu corpo inteiro seja refletido, não consigo olhar para "o todo". Vejo meu rosto, ou meu cabelo, ou meus braços, minhas pernas, minha barriga. Nunca vejo minha nuca, pelo menos não com apenas um espelho.


A questão é que além de invertido, vejo meu corpo por partes, como partes diferentes. Então é como se a minha (auto)imagem fosse de difícil acesso a mim mesmo, e aqui entra o outro, a sociedade.


É quase impossível eu me ver bonito se o outro nunca me disser que sou bonito. O outro é o social. Por isso vai parecer importante o que o outro pensa e vê em mim.


Quais traços, quais cabelos, quais corpos, em quais idades geralmente o outro, o social confirma como bonito?


Eu tenho esses traços?

Eu tenho esse cabelo?

Eu tenho esse corpo?

Eu tenho essa idade?


Se alguma das respostas for "não", quais as minhas possibilidades? Não vejo meu corpo por completo como ele realmente é, eu uso minha imaginação, e aqui começa certa confusão.


Como vejo meu corpo em partes, começo a tentar mexer nas partes para alcançar esse corpo imaginado como ideal. E associando esse corpo ideal a minha própria felicidade, "quanto mais o outro aprovar meu corpo, mais feliz eu serei".


Veja bem, o sofrimento não está necessariamente na vaidade, querer mudar um corte de cabelo, usar uma peça de roupa que eu me sinta mais confortável no meu corpo.


O sofrimento começa quando eu imagino que não é possível ser feliz com o corpo que eu tenho. Porque eu até posso bancar a intervenção que for no meu corpo, mas se não é possível ser feliz com o meu corpo, eu ainda vejo felicidade como algo que eu posso ter ou perder, que é diferente de ser. Ter um corpo ao invés de ser um corpo.


Será que "ter" um corpo que seja validado pelo outro é garantia de felicidade ou sequer de ausência de infelicidade?


Se a felicidade vem de "corrigir partes" do meu corpo, será que não posso voltar a querer "corrigir" outra parte assim que eu quiser buscar felicidade novamente?


Uma sociedade que nos oferece "harmonizações faciais", de alguma forma, não nos afirmam com "faces desarmonizadas"?

Harmonização e desarmonização em relação ao que ou a quem?


Se a sociedade me afirma desarmonizado, será que não fica mais difícil de gostar daquilo que eu enxergo no espelho?


Temos que ser felizes como somos, mas como sermos felizes sendo socialmente desaprovados ao sermos como somos?


Você tem dificuldade em gostar do que vê no espelho?

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